Quem abre o relatório de uma campanha de Google Ads pela primeira vez costuma levar um susto. A campanha foi criada para "dermatologista em Curitiba", mas a lista do que as pessoas pesquisaram antes de clicar inclui "vaga de dermatologista", "curso de dermatologia", "dermatologista pelo SUS" e "o que é melasma". Cada um desses cliques foi pago.
Esse desperdício não é sinal de que o Google Ads não funciona para médicos. É sinal de que a campanha está sem um filtro básico: a lista de palavras-chave negativas. Neste texto explicamos o que ela é, quais buscas costumam entrar nela em um consultório e como montá-la sem bloquear justamente quem queria marcar consulta.
Resposta curta: palavras-chave negativas são termos que impedem o anúncio de aparecer quando estão na busca. Em consultório, elas bloqueiam pesquisas de quem procura emprego, curso, atendimento gratuito ou informação sem intenção de agendar. A lista nasce de uma base comum, cresce com a leitura semanal do relatório de termos de pesquisa e precisa de cuidado para não cortar buscas de pacientes reais.
O que são palavras-chave negativas
No Google Ads, a palavra-chave é o termo que o anunciante escolhe para ativar o anúncio. A palavra-chave negativa faz o contrário: diz ao Google em quais buscas o anúncio não deve aparecer.
Isso é necessário porque o Google não mostra o anúncio só para a busca idêntica à palavra-chave. Dependendo do tipo de correspondência escolhido, ele também exibe o anúncio para pesquisas que considera relacionadas. A correspondência ampla, que é a que mais expande o alcance, pode levar "cardiologista" a aparecer para buscas como "salário de cardiologista" ou "cardiologista plantão vaga". A negativa é o que corta essas variações.
Uma diferença importante: as negativas não funcionam do mesmo jeito que as palavras-chave comuns. Segundo a documentação do próprio Google, elas não se estendem a variações próximas, como plural, sinônimo ou erro de digitação. Bloquear "curso" não bloqueia "cursos". Por isso a lista precisa prever as formas mais comuns de cada termo.
Os três tipos de correspondência negativa
Como as palavras-chave comuns, as negativas também têm tipos de correspondência. Escolher o tipo errado é a causa mais frequente de bloqueio exagerado ou insuficiente.
| Tipo | Como se escreve | O que bloqueia | Exemplo com a negativa "grátis consulta" |
|---|---|---|---|
| Ampla | grátis consulta | Buscas que contêm todas as palavras, em qualquer ordem | Bloqueia "consulta grátis com dermatologista" |
| Frase | "consulta grátis" | Buscas que contêm a expressão exata, na mesma ordem | Bloqueia "dermatologista consulta grátis", mas não "grátis a consulta" |
| Exata | [consulta grátis] | Somente a busca idêntica, sem palavras a mais | Bloqueia "consulta grátis", mas não "consulta grátis dermatologista" |
Na prática, a maior parte das negativas de um consultório entra como ampla de uma palavra só ("emprego", "curso", "gratuito"), porque o objetivo é cortar qualquer busca que contenha aquele termo. A correspondência de frase e a exata ficam para casos em que a palavra sozinha é ambígua e só a combinação indica falta de intenção.
Quais buscas um consultório costuma bloquear
Cada especialidade tem sua lista, mas alguns grupos aparecem em quase toda campanha médica. Use os exemplos abaixo como ponto de partida, não como regra.
Emprego e carreira
Quem pesquisa a especialidade junto com "vaga", "emprego", "salário", "plantão", "concurso", "residência" ou "trabalhe conosco" quer trabalhar, não se consultar. Esse grupo costuma ser o primeiro a entrar na lista.
Estudo e formação
"Curso", "pós-graduação", "faculdade", "apostila", "PDF", "resumo", "TCC" e "monografia" indicam estudante ou profissional em formação. Na especialidade com muito conteúdo acadêmico, esse grupo pode consumir boa parte do orçamento se não for bloqueado.
Atendimento gratuito ou público
Termos como "grátis", "gratuito", "SUS", "posto de saúde" e "UBS" indicam quem procura atendimento sem custo. Se o consultório atende apenas particular, esses cliques dificilmente viram agendamento.
Planos que o consultório não atende
Se o consultório não trabalha com determinado plano de saúde, o nome desse plano pode entrar como negativa. Aqui cabe atenção: quem pesquisa por um plano às vezes aceita consulta particular com reembolso. A decisão depende de como o consultório atende e de como a recepção conduz essa conversa. Explicamos esse ponto no texto sobre como conseguir mais pacientes particulares.
Outras áreas com o mesmo nome
Algumas palavras da medicina aparecem em outros contextos. "Veterinário", "estética automotiva", "odontologia" ou "fisioterapia" podem disputar buscas parecidas, conforme a especialidade. Esse grupo só aparece quando se lê o relatório, por isso varia muito de conta para conta.
Lugares fora da área de atendimento
A segmentação por local já limita onde o anúncio aparece, mas ela considera onde a pessoa está ou demonstrou interesse, não o que ela digitou. Quem está na sua cidade e pesquisa "ortopedista em outra cidade" ainda pode ver o anúncio. Nomes de cidades e bairros onde o consultório não atende podem entrar como negativas quando aparecem com frequência.
Concorrentes
Busca pelo nome de outro médico ou de outra clínica é, quase sempre, de quem já escolheu. Bloquear nomes de concorrentes que aparecem no relatório evita pagar por quem procura outra pessoa.
Como montar e manter a lista
Uma lista bem feita não sai pronta no primeiro dia. Ela tem uma base e depois cresce com os dados da própria conta.
- Comece por uma lista base. Antes de ligar a campanha, inclua os grupos óbvios: emprego, estudo, gratuito. Isso evita que os primeiros dias de orçamento sirvam só para descobrir o que já se sabia.
- Use listas compartilhadas. O Google Ads permite criar listas de palavras-chave negativas e aplicá-las a várias campanhas de uma vez. Assim, uma negativa nova vale para toda a conta sem ser repetida campanha por campanha.
- Leia o relatório de termos de pesquisa. É o relatório que mostra o que as pessoas digitaram antes de o anúncio aparecer. Nas primeiras semanas, vale ler toda semana. Depois que a lista amadurece, a cada quinze dias costuma bastar.
- Decida termo a termo. Para cada busca estranha, pergunte: essa pessoa pode marcar consulta? Se não pode, a busca vira negativa. Se pode, ela merece ficar, mesmo que pareça fora do padrão.
- Registre o motivo. Uma anotação simples de por que cada grupo foi bloqueado evita que alguém desfaça a decisão sem saber.
Um detalhe: o relatório não mostra todas as buscas. O Google omite termos pesquisados por poucas pessoas, por privacidade. Por isso a lista nunca fica completa, e a leitura periódica continua necessária mesmo em campanha madura.
Os erros que cortam paciente bom
Negativar demais é tão ruim quanto não negativar. A diferença é que o desperdício aparece no relatório, e o paciente bloqueado não aparece em lugar nenhum.
Bloquear "preço" e "valor". Muitos gestores tratam essas palavras como sinal de quem só quer pechinchar. Em consultório particular, quem pergunta o valor costuma estar perto de decidir. Cortar essas buscas pode tirar da campanha justamente os contatos mais avançados. A conversa sobre preço se resolve no atendimento, como mostramos em como passar o valor da consulta pelo WhatsApp.
Bloquear toda busca informativa. "O que é", "sintomas de" e "como tratar" muitas vezes são de curiosos, mas nem sempre. Quem pesquisa "tratamento para enxaqueca crônica" pode estar procurando o médico que faz esse tratamento. Em vez de bloquear o grupo inteiro, olhe o desempenho real dessas buscas antes de decidir.
Negativar o que também é palavra-chave. Se "infantil" entra como negativa numa conta que anuncia "dermatologista infantil", a própria campanha deixa de aparecer. O Google Ads costuma alertar sobre esse conflito, mas vale conferir sempre que uma negativa nova entra.
Usar ampla quando era frase. Negativar "exame" sozinho, em correspondência ampla, pode bloquear "consulta e exame com cardiologista". Quando a palavra é útil em parte das buscas, use a combinação em correspondência de frase.
Negativas resolvem o desperdício, não a conversão
Uma lista de negativas bem cuidada faz o orçamento ir para buscas com intenção de consulta. Isso é necessário, mas não é suficiente. Se a pessoa clica, cai numa página confusa e espera horas por resposta no WhatsApp, a campanha continua sem agendamento, só que agora sem desperdício no relatório.
Por isso, ao avaliar uma campanha, olhe o caminho inteiro: termo pesquisado, anúncio, página de destino, atendimento e agendamento. Mostramos onde esse caminho costuma quebrar em por que o tráfego pago não vira agendamento e como ler cada etapa no funil do consultório. Para entender a estrutura completa de uma campanha, o guia de Google Ads para médicos é o ponto de partida.
O que fazer com isso
- Abra o relatório de termos de pesquisa da sua campanha e leia as buscas dos últimos 30 dias.
- Separe o que não pode virar consulta: emprego, estudo, gratuito, outras áreas, outras cidades e concorrentes.
- Crie uma lista compartilhada de negativas e aplique em todas as campanhas de Pesquisa.
- Escolha o tipo de correspondência de cada negativa, preferindo frase quando a palavra sozinha é ambígua.
- Confira se nenhuma negativa bloqueia as suas próprias palavras-chave.
- Não bloqueie preço nem busca informativa sem antes olhar o desempenho real.
- Repita a leitura toda semana no primeiro mês e a cada quinze dias depois.
Cuidar das negativas faz parte da rotina de qualquer campanha que acompanhamos em Google Ads para médicos. Se quiser saber quanto da sua verba está indo para buscas sem intenção de consulta, fale conosco e agende uma reunião de diagnóstico.





