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Coqueiro Mídia

Funil do consultório: os números que mostram onde pacientes estão sendo perdidos

Entenda quais números acompanhar no funil de marketing médico para localizar perdas entre visualização, contato, atendimento e consulta agendada.

André Albuquerque7 min de leitura
  • funil
  • métricas
  • marketing médico

Considere esta situação hipotética: o relatório mostra cliques. O WhatsApp mostra dezenas de conversas. A agenda mostra poucos nomes novos. Os três números existem, mas ficam em lugares diferentes e ninguém consegue explicar onde as pessoas deixaram de avançar.

Sem essa ligação, a reunião de marketing vira disputa de impressão. A campanha parece boa para quem olha o gerenciador. A recepção diz que os contatos não tinham interesse. O médico olha os horários vazios e conclui que nada funcionou.

Resposta curta: o funil de marketing médico deve conectar alcance ou busca, visita, contato, resposta, proposta de horário, agendamento e comparecimento. Ao medir a passagem entre cada etapa, o consultório identifica onde existe perda e evita corrigir a campanha quando o gargalo está no site, no atendimento ou na agenda.

Funil não é um desenho de apresentação

Funil é uma sequência de eventos observáveis. Uma pessoa viu uma página, iniciou uma conversa, recebeu resposta, recebeu opções de horário e marcou. Outra chegou ao WhatsApp, mas não foi respondida. Uma terceira marcou e não compareceu.

Cada passagem responde a uma pergunta diferente:

EtapaPergunta de gestão
Visita para contatoA página ajuda a pessoa a iniciar a conversa?
Contato para respostaA equipe consegue atender o volume que chega?
Resposta para horárioA conversa avança para uma decisão concreta?
Horário para agendamentoAs opções e condições fazem sentido para a pessoa?
Agendamento para comparecimentoA confirmação e a orientação estão funcionando?

O valor não está em ter um painel sofisticado. Está em conseguir localizar a etapa que merece investigação.

Quais números o consultório precisa acompanhar

Comece com sete números no mesmo período:

  1. visitas à página ou ao perfil usado na campanha;
  2. novos contatos recebidos;
  3. contatos que receberam resposta;
  4. conversas que chegaram a uma proposta de horário;
  5. consultas agendadas;
  6. consultas confirmadas;
  7. consultas realizadas.

Se houver mais de um canal, registre a origem quando for possível: Google orgânico, Perfil da Empresa no Google, anúncio, Instagram, indicação ou outro. Não preencha a origem por suposição. Use parâmetros nos links, números de encaminhamento quando adequados e uma pergunta curta no atendimento quando a informação não vier automaticamente.

Essa visão faz parte de uma estratégia de marketing médico conectada. Campanha, página e recepção não podem produzir relatórios que terminam antes da consulta.

Como calcular as passagens entre etapas

A conta é direta: divida a quantidade da etapa seguinte pela quantidade da etapa anterior e multiplique por 100.

Considere um exemplo hipotético e ilustrativo em um período de 30 dias:

EtapaQuantidadePassagem
Novos contatos80100%
Contatos respondidos7290%
Propostas de horário4562,5% dos respondidos
Agendamentos2760% das propostas
Consultas realizadas2488,9% dos agendamentos

Esses números não representam resultado da Coqueiro Mídia nem referência de mercado. Servem apenas para mostrar o cálculo.

No cenário ilustrativo, a maior queda absoluta acontece antes da proposta de horário: 27 conversas respondidas não chegaram a uma opção concreta. Isso não prova que a recepção falhou. Pode haver pedidos incompatíveis, casos fora do escopo, falta de agenda ou pessoas que só queriam uma informação. O número aponta onde ler as conversas e classificar os motivos.

Uma taxa não explica sozinha por que houve perda. Ela mostra em qual trecho do caminho vale fazer a próxima pergunta.

O que cada queda pode indicar

Muitas visitas e poucos contatos. A página pode estar lenta, confusa, sem informação essencial ou com um botão difícil de encontrar. Também pode existir tráfego pouco relacionado ao atendimento. Revise primeiro a origem das visitas e a experiência no celular.

Muitos contatos sem resposta. O canal está recebendo mais volume do que a equipe consegue atender, ou as mensagens chegam fora do período coberto. Meça o tempo da primeira resposta antes de aumentar investimento.

Muitas respostas sem proposta de horário. A conversa pode terminar em informação isolada. Perguntas sobre preço, convênio ou localização são respondidas, mas ninguém oferece um próximo passo. Uma amostra das mensagens esclarece melhor do que a taxa.

Muitas propostas e poucos agendamentos. Investigue disponibilidade, distância, valor sem contexto e adequação entre o que a pessoa procurou e o atendimento oferecido. Não conclua automaticamente que o problema é preço.

Muitos agendamentos e poucos comparecimentos. Revise confirmação, instruções de chegada, facilidade para remarcar e intervalo entre marcação e consulta. Essa etapa já não depende do anúncio.

O artigo sobre por que o tráfego pago não vira agendamento mostra como uma campanha pode cumprir sua função e ainda assim parecer ineficiente quando as etapas posteriores não são medidas.

Cuidado com métricas que parecem importantes

Alcance, impressões, curtidas e custo por clique ajudam a avaliar distribuição e campanha. Nenhuma delas confirma, isoladamente, que houve oportunidade real de consulta.

Custo por contato também pode enganar. Um canal pode gerar mensagens baratas e pouco aderentes. Outro pode gerar menos conversas, mas com maior avanço para proposta de horário. A comparação útil chega pelo menos até agendamento, respeitando o tempo necessário para a decisão.

Outra armadilha é a média geral. Misturar especialidades, unidades, profissionais, cidades ou campanhas diferentes produz uma taxa que não descreve bem nenhum grupo. Separe apenas quando houver volume suficiente e uma decisão prática a tomar.

Não existe uma taxa universal que todo consultório deveria atingir. Especialidade, urgência percebida, disponibilidade, região, canal, valor e perfil do atendimento mudam o comportamento. Use a própria série histórica para detectar mudanças e investigar causas.

Dados mínimos e privacidade

Medir o funil não exige copiar relatos clínicos para uma planilha de marketing. Na maior parte das análises, identificador interno, data, canal, etapa e desfecho são suficientes.

A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais classifica informações referentes à saúde como dados pessoais sensíveis e estabelece, entre outros, o princípio da necessidade: o tratamento deve se limitar ao mínimo necessário para a finalidade.

Defina quem acessa o controle, onde ele fica, por quanto tempo os dados são mantidos e quais informações realmente precisam estar ali. Para decisões específicas sobre proteção de dados, busque orientação jurídica adequada à operação.

Como montar a medição em uma semana

Dia um: defina as etapas. Escreva o que conta como novo contato, resposta, proposta, agendamento e consulta realizada. Duas pessoas precisam classificar a mesma conversa do mesmo modo.

Dia dois: escolha uma fonte por etapa. Visitas podem vir da ferramenta de análise; conversas, do canal de atendimento; agendamentos e comparecimentos, da agenda. Defina como os registros serão ligados sem coletar detalhes desnecessários.

Dia três: crie os campos mínimos. Data, origem, hora da primeira mensagem, hora da resposta, houve proposta de horário, agendou e compareceu. Inclua um motivo administrativo de perda quando ele estiver explícito.

Dias quatro e cinco: teste com conversas anteriores. Use uma amostra recente, com acesso controlado, para descobrir campos ambíguos. Ajuste as definições antes de cobrar preenchimento da equipe.

A partir do dia seis: registre e revise. Faça uma revisão semanal curta. Escolha apenas um gargalo para aprofundar e uma mudança para testar. Alterar anúncio, página, preço, roteiro e agenda ao mesmo tempo impede saber o que influenciou o resultado.

A pergunta que o relatório deve responder

Um relatório útil termina com uma decisão: reduzir o tempo de resposta, corrigir uma página, alinhar uma campanha, ampliar horários ou treinar uma pergunta da recepção. Se termina apenas com uma lista de números, ainda falta análise.

Também é importante aceitar quando o dado não permite conclusão. Pouco volume, falhas de registro ou mudança recente de canal podem exigir mais observação. Transparência vale mais do que atribuir uma causa sem evidência.

Se hoje seus números terminam no clique ou no WhatsApp, agende um diagnóstico. A Coqueiro Mídia pode mapear as etapas do seu consultório, localizar o que ainda não é medido e definir qual pergunta deve orientar o próximo ajuste.

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